
Capítulo III: O propósito indefinido
- 21 de abr.
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Numa tarde comum, porque as coisas importantes raramente acontecem em momentos grandiosos e escolhidos pelo nosso Pai celestial, Elara sentou-se num banco desses jardins da cidade.
Sem pressa, sem planos e pela primeira vez em muito tempo ela nao estava a tentar resolver nada. E finalmente foi ali que percebeu algo estranho:
Ela estava em paz.
Não porque tinha encontrado respostas. Mas porque, por um momento, tinha parado de exigir que elas existissem.
Num belo final de semana, no sol deslumbrante de setembro, ela encontrou Ivo novamente.
- Então? Descobriste? (perguntou ele)
Elara sorriu.
O bom é que desta vez não havia frustração na pergunta. Nem urgência na resposta.
- Não.
O Ivo ficou meio surpreso e questionou:
- E isso incomoda-te?
Ela pensou por um momento.
- Menos do que antes.
- Então talvez estejas mais perto do que pensas.
- Mais perto de quê? (Ela sorriu)
- De viver. (Respondeu Ivo todo orgulhoso)
O que vimos é que Elara nunca descobriu o seu propósito da forma como imaginava. Nunca houve um momento de clareza absoluta. Nunca houve uma resposta definitiva.
Mas algo mudou: ela deixou de ver a vida como um problema a ser resolvido e começou a vê-la como algo a ser vivido.
Concluiu que dúvidas, incertezas e momentos sem explicação também fazem sentido.
Ivo então elaborou a sua questão:
- Qual é o teu propósito, Elara?
- Ainda não sei. (Respondeu Elara firme, sem desespero)
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FIM



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