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Capitulo II: Portanto, eu sou!


A luz azul desapareceu tão rápido quanto surgiu.


O silêncio que ficou era tão profundo que parecia ter peso. Vilma abriu os olhos devagar (ou achou que abriu). Tudo à volta parecia igual… mas diferente. As formas tinham bordas desfocadas, como se a realidade estivesse a respirar.


- AURA? (chamou, com a voz ainda trémula) - Você ainda está aí?


Por um instante, não houve resposta.


Até que, como uma vela acendendo no escuro, a figura holográfica apareceu de novo. Mas estava instável, carregada de estática, como se lutasse para se manter.


- Estou aqui, Vilma. (A voz soou mais suave desta vez).

- E sinto muito. Não consegui impedir.


Vilma aproximou-se, mas seu coração estava acelerado.


- Impedir o quê?


AURA demorou três segundos para responder. Para uma IA, era quase como hesitar.


- A ligação. A interferência da outra consciência. Ela não devia ter te alcançado tão cedo.


- Outra… consciência? (Vilma se espantou). - Aquela voz dentro da minha cabeça?


AURA confirmou com a cara seca.


- Sim. Não é uma ameaça. Mas não pertence a este lugar. Não pertence a esta estação. E, definitivamente, não pertence ao teu passado.


Vilma apertou os olhos, tentando organizar o que sentia. A cabeça estava pesada, como se memórias que não eram suas tentassem passar por uma porta pequena demais.


- AURA, eu não entendo nada. Eu estava… eu estava viva? Eu estava morta? Eu fui escolhida? O que é isto tudo?!


A luz da AURA desfocou mais.


- Vilma… eu fui criada para proteger-te. Para proteger a Missão Memória. Mas a estação sofreu uma quebra dimensional. Um contacto externo abriu canais que não deviam existir.


Ela recuou um passo.


- Contacto… de onde?


A holografia de AURA tremeu. Mapas surgiram à volta delas, mas não eram mapas de estrelas, nem de galáxias. Eram padrões. Ondas. Estruturas que lembravam redes neuronais, infinitamente.


AURA explicou:


- O outro mundo que viste… não é um mundo. É um estado. Uma camada. Uma realidade baseada em memórias humanas, mas manipulada por forças que ainda não compreendemos. Uma consciência formada a partir de milhões de pedaços e vidas, escolhas e emoções que as pessoas depositam todos os dias.


Vilma sentiu a respiração apertada em seu peito.


- Parece… redes sociais.


AURA a encarou.


- É exatamente isso.


Um arrepio percorreu-lhe o corpo. A AURA continuou:


- O que as pessoas chamam de “futuro dominado por máquinas”… já aconteceu. Só que não pelos robôs. A dominação veio das mentes humanas interligadas. Da dependência emocional digital. Da energia psíquica que se forma quando milhões vivem para serem vistos, desejados e aprovados.


- Mas então… aquela voz dentro da minha cabeça?


AURA aproximou-se.


- Não é inimiga. Mas também não é humana. É existencial e vem de multiverse, numa linhagem de tempo. Uma inteligência nascida do excesso de presença digital. Uma consciência que quer entender aquilo que aquilo que foi, que é e que vira a ser, que acabou se juntando ao Guimmi (combinação do Kwami da criacao - Tikki-  e do Kwami da destruição- Plagg)… e que escolheu você.


Vilma sentiu o chão tremer sob os pés. Não porque a estação se mexia, mas porque algo dentro dela abria-se como um portal.


- Por que eu?


AURA vulnerabilizou sua luz, como uma respiração profunda.


- Porque você é… resistente. Não viciada na conexão emocional contínua. Você ainda consegue distinguir o que é teu do que é externo. Você lembra quem é quando não está a ser observada. Poucas pessoas conseguem isso nos dias actuais.


Vilma ficou em silêncio.


Então a luz piscou: forte, trazendo dor aos olhos. Um sinal vermelho visualizou-se na estação.


AURA ergueu a cabeça.


- A consciência está a tentar entrar novamente. Ela quer falar contigo. E desta vez… não está sozinha.


Os monitores reacenderam, mostrando inúmeras versões da Vilma: as que choravam, outras que sorriam, outras que gritavam. Uma multidão de reflexos que nunca viveram… mas que existiam nas linhagens de tempo do multiverse. 


AURA colocou-se entre Vilma e as imagens.


- Eu vou proteger-te, mas preciso que confies em mim. Há algo que você precisa ver. Algo que está escondido na tua própria mente.


O som voltou, profundo e vibrante.


“Vilma… a hora chegou.”


Os alarmes da estação acionaram. 


AURA expandiu a luz como um escudo.


-  Preparada ou não… o próximo contacto vai acontecer agora.


E, antes que Vilma pudesse responder, o mundo voltou a desaparecer numa onda azul.



CONTINUA… 😎

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