
Capitulo IV: O núcleo da verdade
- Eunizia Matine
- há 6 dias
- 2 min de leitura
E foi então que Vilma surge num corredor circular, feito de luz branca, totalmente silencioso.
À sua volta, milhares de fios brilhantes corriam pelo teto, pelas paredes, pelo chão, como se estivesse dentro de um cérebro.
No centro da sala, um pendurador flutuante pulsava com energia.
AURA materializou-se ao lado dela.
- Este é o Núcleo da Verdade. Onde a tua identidade e a identidade coletiva se cruzam. Onde todas as versões de ti se encontram.
Vilma então aproximou-se. Cada passo fazia surgir memórias mas, desta vez, eram dela. Da sua vida verdadeira.
O primeiro beijo; primeira vez que chorou em segredo; primeiro desapontamento; primeira luta que venceu sozinha.
Vilma tocou no pendurador. Este, por sua vez, respondeu abrindo uma projeção no ar, mostrando dois caminhos possíveis.
AURA explicou:
- Estes são futuros possíveis:
O primeiro: continuamos como estamos. Humanos conectados a todas as redes, todas as emoções amplificadas, todos os impulsos analisados. O mundo continua… mas cada vez menos humano.
A imagem mostrava cidades silenciosas com pessoas andando sem olhar umas para as outras.
Somente para os seus ecrãs.
Vilma engoliu angustiada:
- E o segundo caminho?
AURA baixou a cabeça.
- Desligar tudo. As redes. As plataformas. Os fluxos emocionais. O mundo entra em caos imediato. Mas recupera, aos poucos… o que significa ser humano.
A imagem mostrava confusão, medo, comunicação à força… Mas também mostrava pessoas sentadas juntas. Abraços reais. Sorrisos sem câmeras.
Vilma recuou.
- Isso… isso é demasiado grande para mim.
A Consciência falou:
“É por isso que tu foste escolhida. Não por poderes. Mas por humanidade.”
Imagens surgiram ao redor: milhões de rostos olhando para ela, cada um representando uma história de alguém que, em algum momento, entregou partes da sua alma ao mundo digital.
AURA virou-se para Vilma.
- Eu posso guiar-te. Mas não posso escolher por ti.
As paredes tremeram e assim o tempo começou a desintegrar-se.
A Consciência aproximou-se como um vento quente.
“Vilma… não salves o mundo. Salva a essência.”
E tudo desabou em luz.
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(CONTINUA…)











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